"Muitos livros foram escritos sobre bruxaria(...). Embora seus autores soubessem que bruxas existissem, nenhum deles consultou uma bruxa sobre suas visões a respeito da bruxaria. Afinal, a opinião de uma bruxa deveria ter algum valor, mesmo se não se encaixasse nas opiniões preconcebidas(...). Sou antropólogo e é consenso que o trabalho de um antropólogo é investigar o que as pessoas fazem e em que acreditam, e não o que outras pessoas dizem que elas fazem ou acreditam."(Gardner, 2003, p.21-22 em: A Bruxaria Hoje)
"A Bruxaria Moderna é um fato. Ela não é mais uma relíquia subterrânea da qual a camada restante, e até mesmo a própria existência, é acirradamente disputada pelos antropologistas. Ela não é mais o passatempo bizarro de um punhado de excêntricos. Ela é a prática religiosa ativa de um número substancial de pessoas." (Farrar, 1985, p. 2 em: A Bíblia da Feitiçaria)

domingo, 19 de agosto de 2007

8. AUTO-INTITULAR-SE BRUXO NÃO FAZ DE NINGUÉM UM BRUXO.

"Nem tampouco a hereditariedade ou uma coleção de títulos, graduações e iniciações. O bruxo busca controlar forças dentro dele que lhe possibilitem viver bem e com sabedoria, em harmonia com a Natureza e sem prejudicar quem quer que seja".

Com a popularização da bruxaria, e da Wicca, muitos são aqueles que reivindicam para si esse título e saem por aí fazendo anúncios de feitiços amorosos e outros. Não acredite em tudo o que ouve, pois um Wiccano jamais usaria os seus dons para ganhar dinheiro desta maneira é algo altamente desencorajado entre a nossa comunidade a não ser em casos particulares. Isso não significa que um Wiccano não possa oferecer consultas com oráculos em feiras e encontros, mas geralmente não são cobrados nada nesses casos. Muitas vezes encontramos bruxos oferecendo cursos, e outros serviços. Em geral utilizamos desse recurso para conseguir, por exemplo, fundos para adquirir uma sede para associação, doações voluntárias, oferecimento de círculos de leitura e reuniões geralmente isso é feito entre os próprios associados. Sabemos que hoje é necessário dinheiro para essas coisas e não criticamos isso.

7. ACHAMOS QUE A RELIGIÃO, A MAGIA E A EXPERIÊNCIA DE VIDA CONSTITUEM UM TODO QUE DETERMINA A MANEIRA COMO A PESSOA VÊ O MUNDO E VIVE DENTRO DELE

"Essa é a nossa visão de mundo e filosofia de vida, às quais identificamos como Bruxaria ou Caminho Wiccano".

Ser bruxa ou bruxo é viver magicamente 24 horas por dia e sete dias por semana. E o que é viver magicamente? Viver magicamente é descobrir, manter, cultivar e usar o nosso poder pessoal. É se dar conta de que a magia é parte de mim parte da minha vida, não há como separar uma coisa da outra. Eu não pratico apenas a Wicca, eu vivo a wicca. Ela está nas minhas atitudes do dia-a-dia, na maneira como eu me expresso, nas palavras que digo nas minhas idéias, na maneira como eu trato o meu lixo, quando estou cozinhando... isso é a nossa religião, é vivê-la no dia-a-dia, não somente nos dia que há rituais ou reuniões.

6. NÃO RECONHECEMOS NENHUM TIPO DE HIERARQUIA AUTORITÁRIA.

"No entanto, temos consideração por aqueles que ensinam, respeitando os que compartilham um conhecimento e sabedoria superiores, e reconhecemos aqueles que corajosamente, dispõe-se a assumir posições de liderança".

Na Wicca, todo Wiccano é um sacerdote ou sacerdotisa da Deusa. Não há uma casta que detém o conhecimento e passa para os outros. Assim que um Wiccano é iniciado ele se torna um sacerdote, o que vai diferenciá-lo é o grau de conhecimento que ele detém na Arte. Isso não significa que ele tenha privilégios especiais, mas como a nossa religião é totalmente prática, esse conhecimento que se adquire é muito útil e pode ser passado para os neófitos. Também não é uma questão de idade. Não importa quantos anos a pessoa tenha, mas quanto conhecimento prático da religião ela possui.
Citando novamente Mavésper:
"Embora o modo de exercer nosso Sacerdócio da Terra não implique renúncias a prazeres, celibatos ou votos de pobreza ou abstinência, temos em comum com sacerdotes de outras religiões o seguinte: nossa alma anseia pelo contato íntimo e direto com a Divindade Criadora e nos oferecemos, voluntariamente, para realizar, em concreto, esse contato no mundo, em nossas vidas diárias".
Num sistema religioso que não possui uma hierarquia rígida e dogmática, agradecemos àquelas pessoas que tomam a iniciativa de colocar na liderança de algum modo, pois sabemos quanta responsabilidade e dedicação essa postura exige. É por isso que pessoas assim são respeitadas principalmente porque compreendemos o quanto já conseguimos avançar em termos de organização e busca de direitas, sabemos que sem essas pessoas talvez as coisas não estivessem tão bem. Há muita coisa por se fazer ainda e caminho é longo.

5. RECONHECEMOS A EXISTÊNCIA TANTO DOS MUNDOS EXTERIORES QUANTO DOS INTERIORES OU PSICOLÓGICOS.

"Os mundos interiores são às vezes conhecidos como Mundo Espiritual, Inconsciente Coletivo, Planos Interiores, etc. Consideramos a interação entre as dimensões exterior e interior como base dos fenômenos "paranormais" e dos exercícios mágicos. Não damos mais valor a uma dimensão do que a outra, pois sabemos que ambas são necessárias para a nossa realização".
Quando se realiza uma prece, ou se faz um pedido a um santo, se sabe que apenas isso não fará com que o pedido seja atendido. Quando se pede um emprego a um santo, ele não o atenderá se você passar o dia todo em casa esperando que uma vaga caia do céu. Você precisa procurar.
Com a magia, funciona da mesma forma. Faz-se um feitiço de forma física, materializando o seu pedido e junta a isso não só a sua fé, mas a ação que pode levar a esse feitiço dar certo. Faz-se um feitiço para conseguir emprego e sai a procurar. Isso é trabalhar com os dois planos, o físico e o imaterial. Sem isso o feitiço, ou milagre no caso dos cristãos, não funciona!

4. DO NOSSO PONTO DE VISTA, O PODER CURATIVO DO UNIVERSO SE MANIFESTA POR MEIO DA POLARIDADE — COMO MASCULINO E FEMININO E ESTÁ VIVO EM TODAS AS PESSO

"Acreditamos que esse poder seja ativado com a interação entre o masculino e o feminino. Damos igual importância a ambos, pois sabemos que eles se complementam. Valorizamos a sexualidade pelo prazer que ela proporciona e por ser símbolo e a corporização da vida".

Em nossa religião cultuamos uma Deusa, e em muitos casos, a Wicca é chamada de "religião feminista" pois erroneamente as pessoas atribuem isso como uma forma de compensar os muitos séculos em se cultuavam apenas deuses masculinos, que acabavam por oprimir as mulheres. De fato, religiões como a Wicca ganharam grande popularidade devido a movimentos feministas, mas isso não significa que ela também o seja. Se você não se lembra a Wicca cultua as duas polaridades do UNO, o masculino e o feminino.
Isso se mostra no mito de Lilith:
A ancestral lenda hebraica sobre Lilith conta que ela teria sido criada antes de Eva, para ser a companheira do homem no Jardim do Éden. Dizem as lendas que Lilith rejeitou Adão, o primeiro homem, quando ele tentou forçá-la a ocupar uma posição submissa sexualmente e em essência. Ela foi a primeira mulher de Adão e todas as vezes que eles se uniam sexualmente, Lilith demonstrava insatisfação por ficar embaixo de Adão. Ela não gostava de ter que suportar o peso do corpo dele. E indagava: ‘‘Por que devo deitar-me embaixo de ti? Por que devo abrir-me sob teu corpo? Por que ser dominada por ti? Contudo, eu também fui feita de pó e por isso sou tua igual.’’ Adão se recusou por sucessivas vezes, pois a "ordem" não se mudava. Lilith deve submeter-se a ele, pois esta é a condição do equilíbrio preestabelecido. Quando percebeu que não iria conseguir, rebelou-se e então o amaldiçoou e foi embora. Alguns escritos contam que Adão queixou-se a Deus sobre a fuga de Lilith e, para compensar a tristeza de Adão, Deus resolveu criar Eva, moldada exatamente como as exigências da sociedade patriarcal. A mulher feita a partir de um fragmento de Adão. É o modelo feminino permitido ao ser humano pelo padrão ético judaico-cristão. A mulher submissa e voltada ao lar. Lilith simboliza a consciência de absoluta igualdade entre homem e mulher.

3. ESTAMOS CONSCIENTES DE UM PODER MUITO MAIOR DO QUE O APARENTE PARA UMA PESSOA COMUM

"Pelo fato de se muito maior do que qualquer poder comum, damos a ele o nome de "sobrenatural". Contudo, para nós esse é um poder latente que existe em qualquer pessoa".
A esse poder, chamamos de magia, que nada mais é do que o poder pessoal que existe dentro de cada um de nós. Os céticos e racionalistas se perguntam como é que podemos acreditar em magia, e fazem piadas a respeito disso. O fato é de que a magia nada mais é do que o poder da nossa fé. Novamente, apelamos ao dicionário:
Fé, s. m. 1. Convicção na existência de algum fato ou da veracidade de alguma asserção.
Ou seja, se você acredita em algo não há ninguém no mundo que conseguirá demovê-lo da sua crença. É assim que acontecem os milagres. Você pede, acredita que vai acontecer, ou seja, tem fé no milagre e ele acontece. A fé não é nada mais do que o nosso poder pessoal operando.
Segundo Scott Cuningham:

"Para algumas pessoas, a idéia de que a magia seja uma coisa prática é surpreendente. Não deveria ser. A magia se baseia inteiramente na capacidade de exercer influência sobre nosso meio. Enquanto a magia é, altamente voltada para o crescimento espiritual e à transformação psicológica, até mesmo a vida espiritual deve estar firmemente baseada em alicerces materiais.
Os mundos material e psíquico estão entrelaçados, e é exatamente este fato que estabelece o Elo Mágico: o psíquico pode tão facilmente influenciar o material quanto vice-versa. (...) Mente e Corpo atuam em conjunto, e a magia é apenas a extensão dessa interação em dimensões que ultrapassam os limites normalmente concebidos. Eis o porquê de associarmos o "sobrenatural" aos domínios da Magia.
O Corpo é vivo, e toda Vida é uma expressão do Divino. Há Poder Divino no Corpo e na Terra, assim como na Mente e no Espírito. Com Amor e Desejo, utilizamos a Mente para conectar esses aspectos do Divino e assim trazer mudanças.
Com a Magia aumentamos o fluxo do Divino em nossas vidas e no mundo à nossa volta. Nós somamos à beleza de tudo – pois para trabalhar a Magia precisamos estar em harmonia com as Leis da Natureza e da Psique. A Magia é o Florescer do Potencial Humano.
A Magia prática está relacionada à Arte de Viver bem e em harmonia com a Natureza, com a Magia da Terra, com as coisas da Terra, as estações e os ciclos, e aquilo que fazemos com as mãos e com a Mente."
Ainda assim as pessoas racionalistas procuram sempre por uma explicação lógica, e não percebem que a religião não precisa de explicações racionais. Ela é puramente fé. Como disse Mavésper Cy Cerydwen:
"Para um pagão NADA QUE HÁ NO UNIVERSO PRECISA DE EXPLICAÇÕES RACIONAIS EM TERMOS HUMANOS. A Deusa e Seu Consorte não são pessoas, logo a Divindade, o Todo, tem razões que jamais conheceremos e age por caminhos que muitas vezes nem temos condições de compreender. Aliás, nem temos condições de compreender o que são os Deuses em sua plenitude, porque eles não obstante sejam cada um de nós também são maiores que a soma de todos nós...
Pagãos não buscam na sua religião explicações para nada. Não precisamos disso. Vivemos simplesmente".

2. RECONHECEMOS QUE A NOSSA INTELIGÊNCIA NOS ATRIBUI UMA RESPONSABILIDADE ESPECIAL COM RELAÇÃO AO AMBIENTE EM QUE VIVEMOS


"Procuramos viver em total harmonia e equilíbrio ecológico com a natureza, proporcionando plenitude à vida e consciência dentro de um conceito evolucionário".

Por Laylah


Sendo a Wicca uma religião da natureza, não é de espantar o seu interesse pelas questões ambientais. Seja este interesse manifestado duma forma pública, através da colaboração com movimentos ecologistas e da participação em manifestações de defesa das espécies ou do meio ambiente, ou em privado tomando forma ritual ou mágico-simbólica, ele existe sempre como parte imprescindível da religião Pagã.
Os Wiccanos sabem que "...quanto mais se sintonizarem com o ambiente em que vivem e trabalham (...) mais significativa se tornará a sua religião, mais efetivo será o seu trabalho psíquico, maior a sua contribuição para o bem-estar e saúde de Gaia e mais realizadas e integradas estarão elas como seres humanos."
Este envolvimento com a natureza ultrapassa muito as formas profanas em que se faz normalmente a abordagem dos problemas ecológicos, transpondo o assunto para um nível em que a preservação da natureza/Gaia não tem apenas um interesse enquanto base material da vida humana, mas adquire uma dimensão sagrada, uma importância que pode justificar mesmo o sacrifício de alguns interesses e benefícios humanos.
O Paganismo interpreta com maior profundidade estas questões ecológicas, uma vez que considera a natureza e qualquer dos seus elementos tão sagrados como o Deus ou a Deusa.
O respeito pela natureza é assim um valor intrínseco e fundamental no Paganismo. Esta visão distancia-se de uma visão bíblica, na qual, ordenando Deus ao Homem que domine toda a terra e todas as criaturas viventes, pode justificar assim indiretamente a depredação que esse mesmo Homem tem feito dos recursos naturais.
Os Pagãos não têm, no entanto, um tipo de visão apaixonada e irreal dos problemas do ambiente. São cidadãos urbanos ou rurais, conscientes dos problemas que assolam o mundo de hoje, que têm pela vida e pela humanidade um apreço tão grande como pela restante natureza. O seu esforço é portanto dirigido simultaneamente no sentido da salvaguarda da natureza e no melhoramento da condição humana.

sábado, 14 de julho de 2007

1. NÓS PRATICAMOS RITOS




"Praticamos ritos (pequenas partes de rituais) para entrar em sintonia com o ritmo natural das forças vitais, marcadas pelas fases da Lua, pela entrada das estações e por outros períodos relacionados à agricultura e ao ciclo reprodutivo dos animais."


Toda vez que a palavra "ritual" é pronunciada vem logo na cabeça aquela idéia estereotipada do imaginário medieval de bruxas ao redor de fogueiras nuas cultuando demônios e praticando orgias. Essa palavra soa quase como um sinônimo de "maldade" na boca das pessoas, e elas não percebem é que o ritual é uma prática comum tanto em sociedade quanto na vida religiosa. É uma prática comum a todas as religiões existentes. Vamos pensar um pouco: O QUE É UM RITUAL? O QUE É UM RITO?


Segundo o Dicionário Brasileiro da Língua Portuguesa:


Rito, sm. 1. Conjunto de cerimônias e fórmulas de uma religião e de tudo quanto se refere ao seu culto ou liturgia. 2. Cerimonial próprio de qualquer culto. —R. de iniciação, Sociol.: cerimônias, de caráter religioso ou não, realizadas na admissão de um indivíduo a uma sociedade ou associação: Ritos de puberdade.
Como vimos um rito é um instrumento de admissão a um determinado grupo ou parte de celebração de uma religião. Por esse ponto de vista, a transformação de vinho e pão no sangue e corpo de cristo é um rito, a primeira comunhão e a crisma, é um rito, o casamento, o batismo e a extrema-unção também. Agora veja:
Ritual, adj. m. e f. 1. Pertencente ou relativo aos ritos. 2. Que contém os ritos.
Assim, a missa é um ritual composto de vários ritos. E do mesmo jeito que procede no Catolicismo, também o é nas mais diversas religiões, e na própria sociedade laica. A festa de 15 anos para as meninas é um ritual de passagem. Como podemos observar rituais vazem parte da nossa vida diariamente, só não nos damos conta disso. Agora quando as pessoas ouvem um Wiccano falar que na noite passada celebrou um ritual de lua cheia o que é se pensa imediatamente? Que isso é algo ruim que serve para praticar algum mal, senão para cultuar o diabo. É natural pensar assim, porque elas foram induzidas a pensar dessa maneira a vida toda. Mas se não é isso que acontece nesses rituais então o que são os rituais Wiccanos? Eu já faalei um pouco sobre eles antes.


Dias de Poder
(Texto de autor desconhecido)


No passado, quando as pessoas viviam em conjunto com a natureza, o passar das estações e os ciclos lunares da lua tinham um profundo impacto em cerimônias religiosas. Por ser a Lua vista como um símbolo da Deusa, cerimônias de adoração e magia aconteciam sob sua luz. A chegada do inverno, as primeiras atividades da primavera, o quente verão e a entrada do outono também eram marcadas por rituais.
Os Wiccanos, ainda celebram a Lua cheia e observam as mudanças das estações. O calendário religioso Wiccano possui treze celebrações de Lua Cheia (esbats) e oito Sabbats, ou dias de poder.
Quatro desses dias (ou melhor, noites) são determinados pelos solstícios e equinócios, o início astronômico das estações. Traços deste antigo costume ainda são encontrados no Cristianismo. A Páscoa, por exemplo, é celebrada no Domingo que se segue à primeira lua cheia após o equinócio de primavera no hemisfério norte, uma maneira bem pagã de organizar ritos religiosos. Os outros quatro rituais baseiam-se em antigos festivais folclóricos (e, de certo modo, aqueles do Oriente Médio). Os rituais estruturam e ordenam o ano Wiccano, além de nos lembrar do infinito ciclo que perdurará muito depois que partirmos.
Quatro dos Sabbats - talvez os que há mais tempo são observados - eram provavelmente associados à agricultura e aos ciclos reprodutivos dos animais. São eles o Imbolc (2 de fevereiro), Beltane (30 de abril), Lughnasadh (1° de agosto) e Samhain (31 de outubro). Estes são nomes celtas, muito comuns entre os Wiccanos, apesar de existirem muitos outros. Essas datas referem-se ao hemisfério norte, no Hemisfério sul as datas são: Lammas - 2 de fevereiro Samahain - 30 de abril Imbolc - 1 de agosto Beltane - 31 de outubro
Quando a observação cuidadosa do céu levou a um conhecimento comum do ano astronômico, os solstícios e equinócios (por volta de 21 de março, 21 de junho, 21 de setembro e 21 de dezembro – as datas corretas variam de ano para ano) foram incorporados à estrutura religiosa.
Quem foram os primeiros a cultuar e gerar energia nesses períodos? Esta questão não pode ser respondida. Entretanto, esses dias e noites sagrados são a origem dos 21 rituais Wiccanos.
Versões altamente cristianizadas dos Sabbats também foram preservadas pela igreja católica.
Os Sabbats são rituais solares, assinalando pontos no ciclo anual do Sol, e constituem apenas metade do ano ritual Wiccano. Os Esbats são as celebrações Wiccanas da Lua Cheia. Nesta data, nós nos reunimos para cultuara a Deusa. Não que os Wiccanos omitam o Deus nos Esbats - ambos são normalmente reverenciados em todas as ocasiões.
Anualmente, ocorrem 12 a 13 Luas cheias, ou uma a cada 28 ¼ dias. A Lua é um símbolo da Deusa, bem como uma fonte de energia.
Assim, após os aspectos religiosos dos Esbats, os Wiccanos costumam praticar magia, desfrutando do maior poder energético que, crê-se, exista nesses períodos.
Alguns antigos festivais pagãos, desprovidos de suas qualidades sagradas pelo domínio do cristianismo, se degeneraram. O Samhain aparentemente pertence agora aos fabricantes de doces nos Estados Unidos, enquanto o Yule foi transformado de um dos sagrados dias pagãos num período de grosseiro comercial. Até mesmo os ecos do nascimento de um salvador cristão são co-audíveis diante do zumbido eletrônico das máquinas registradoras.
Mas a velha magia permanece nesses dias e noites, e os Wiccanos os celebram. Rituais variam enormemente, mas todos se relacionam à Deusa e ao Deus, e à nossa morada, a Terra. A maioria dos ritos acontecem à noite, por motivos práticos assim como para criar certo clima de mistério. Os Sabbats, sendo baseados no Sol, são mais normalmente celebrados ao meio-dia ou na aurora, mas hoje isto é raro.
Os Sabbats nos contam uma das histórias da Deusa e do Deus, de sua relação e de seus efeitos sobre a fertilidade da Terra. Muitas são as variações destes mitos, mas eis aqui um relativamente comum, entrelaçado a descrições básicas dos Sabbats.
As descrições dos Sabbats feitas a seguir, seguem o calendário do hemisfério norte, para nós que vivemos no hemisfério sul, as datas devem ser adaptadas ao ciclo da natureza no Sul.
A Deusa dá à luz um filho, o Deus, no Yule (por volta de 21 de dezembro). De modo algum isto é uma adaptação do cristianismo. O solstício de inverno é há muito visto como um período de nascimentos divinos. Diz-se que Mitra nasceu neste período. Os cristãos simplesmente o adotaram a seu uso em 273 E. C. (Era Comum).
O Yule é uma época de grande escuridão e este é o menor dia do ano. Povos antigos notaram tais fenômenos e suplicaram às forças da natureza que aumentassem os dias e diminuíssem as noites. Os Wiccanos ocasionalmente celebram o Yule pouco antes da aurora, e a seguir observam o nascer do sol como um final apropriado para seus esforços.
Uma vez que o Deus é também o Sol, isto assinala o ponto do ano no qual o Sol também renasce. Assim, os Wiccanos acendem fogueiras ou velas para saudar o retorno da luz do Sol. A Deusa, inativa durante o inverno de Sua gestação, repousa após o parto.
O Yule é remanescente de antigos rituais celebrados para acelerar o fim do inverno e a fartura da primavera, quando os alimentos voltavam a estar disponíveis. Para os Wiccanos contemporâneos, é um lembrete de que o produto final da morte é o renascimento, um pensamento reconfortante nestes dias de desassossego.
O Imbolc (2 de fevereiro) assinala a recuperação da Deusa após dar à luz o Deus. Os períodos mais longos de luz a despertam. O Deus é um jovem desejoso, mas Seu poder é mais sentido nos dias mais longos. O calor fertiliza a terra (a Deusa), fazendo com que as sementes germinem e brotem. Assim ocorre o início da primavera.
Este é um Sabbat de purificação pelas forças renovadoras do sol, após a vida reclusa do inverno. É também um festival de luz e fertilidade, antigamente marcado na Europa por grandes queimas, tochas e fogos de todas as formas. O fogo representa nossa própria iluminação e inspiração, assim como a luz e o calor.
O Imbolc é também conhecido como festa das Tochas, Oimelc, Lupercalia, Festa de Pã, Festival do Floco de Neve, Festa da Luz Crescente, Dia de Brigit, e provavelmente muitos outros nomes.
Algumas Wiccanas seguem o antigo costume escandinavo de usar coroas com velas acesas, mas muitos outros usam velas em suas invocações.
Este é um dos períodos tradicionais para as iniciações em covens e rituais de autodedicação, que podem ser praticados ou renovados neste período. Ostara (por volta de 21 de março), o Equinócio da Primavera, e também conhecido como Ritos da Primavera e Dia de Eostre, assinala o primeiro dia da real primavera. As energias da natureza mudam subitamente do repouso do inverno para a exuberante expansão da primavera. A Deusa cobre a terra com seu manto de fertilidade, despertada de Seu repouso, enquanto o Deus se desenvolve e amadurece. Ele caminha pelos campos a verdejar, e delicia-se com a abundância da natureza.
No Ostara, as horas do dia e da noite são as mesmas. A luz está ultrapassando a escuridão; a Deusa e o Deus impelem as criaturas selvagens da Terra a reproduzir-se.
Este é um período de iniciar, de agir, de plantar encantamentos para ganhos futuros, e de cuidar dos jardins rituais.
O Beltane (30 de abril) marca a chegada da virilidade do jovem Deus. Agitado pelas energias em ação na natureza, Ele deseja a Deusa. Eles se apaixonam, deitam-se entre a relva e os botões de flores, e se unem. A Deusa fica grávida do Deus. Os Wiccanos celebram o símbolo da fertilidade da Deusa em ritual.
O Beltane é há muito, celebrado com rituais e festas. Os Maypoles (Mastros de Maio), símbolos fálicos supremos, eram o ponto central dos rituais das antigas vilas inglesas. Muitas pessoas acordavam na alvorada para colher flores e ramos verdes nos campos e jardins, usando-os para decorar os Maypoles, seus lares e a si mesmos.
As flores e folhas simbolizam a Deusa; o Maypole, o Deus. O Beltane marca o retorno da vitalidade, da paixão e da consumação das esperanças.
Os Maypoles são por vezes utilizados atualmente por Wiccanos durante rituais do Beltane, mas o caldeirão é um ponto central mais comum da cerimônia. Representa, obviamente, a Deusa - a essência da feminilidade, o objetivo de todo desejo, o igual mas oposto do
Maypole, símbolo do Deus.
O Meio de Verão, o Solstício de Verão (por volta de 21 de junho), também conhecido como Litha, chega quando as forças da natureza alcançam seu ponto mais alto. A Terra está banhada pela fertilidade da Deusa e do Deus.
No passado, pulava-se sobre fogueiras para estimular a fertilidade, a purificação, a saúde e o amor. O fogo novamente representa o Sol, celebrado neste período de dias mais longos.
O Meio do Verão é uma época clássica para magia de todos os tipos. Lughnasadh (1° de agosto) é a época da primeira colheita, quando as plantas da primavera murcham e derrubam seus frutos ou sementes para garantir nosso consumo e para assegurar futuras safras. Misticamente, também, o deus perde sua força enquanto o Sol nasce mais e mais ao Sul a cada dia e as noites tornam-se mais longas. A Deusa observa entre lamento e regozijo enquanto percebe que o Deus está morrendo, ao mesmo tempo em que vive dentro d´Ela como Seu filho.
Lughnasadh, também conhecido como Véspera de Agosto, Festa do Pão do Lar da Colheita e Lammas não é necessariamente observado neste dia. Originalmente, coincidia com a primeira ceifada.
À medida que o verão passa, os Wiccanos recordam seu calor e fartura no alimento que comemos. Cada refeição é um ato de sintonia com a natureza, e somos lembrados de que nada no universo é constante.
O Mabon (por volta de 21 de setembro), o equinócio de outono, é a conclusão da colheita iniciada no Lughnasadh. Mais uma vez o dia e a noite tem a mesma duração, equilibrados enquanto o Deus se prepara para abandonar Seu corpo físico e iniciar a grande aventura rumo ao desconhecido, em direção à renovação e ao renascimento pela Deusa.
A natureza retrocede, recolhe sua fartura, preparando-se para o inverno e seu período de repouso. A Deusa curva-se diante do Sol que enfraquece, apesar do fogo que queima dentro de Seu útero. Ela sente a presença do Deus mesmo enquanto Ele enfraquece.
No Samhain (31 de outubro), a Wicca se despede do Deus. É um adeus temporário. Ele não está envolto em trevas eternas, mas prepara-se para renascer pela Deusa no Yule.
Antigamente, o Samhain, também conhecido como Véspera de Novembro, Festa dos Mortos, Festa das Maçãs, e Todos os Santos, marcava um período de sacrifício. Em alguns lugares, esta era a época de sacrifícios animais para assegurar comida durante as profundezas do inverno. O Deus - identificado com os animais - também tombava para garantir a continuidade de nossa existência.
Os Wiccanos vegetarianos talvez não aprovem este aspecto do simbolismo do Samhain, mas é tradicional. Obviamente, não sacrificamos animais em rituais. É uma simbologia da morte do Deus.
O Samhain é um período de reflexão, de análise do ano que se finda, de ajustar contas com o fenômeno da vida sobre o qual não exercemos controle - a morte.
O wiccano sente que nesta noite a divisão entre as realidades físicas e espirituais é estreita. Eles recordam seus ancestrais e todos os que já se foram.
Após o Samhain, os Wiccanos celebram o Yule, completando assim o ciclo do ano.
Certamente, há muitos mistérios enterrados aqui. Por que é o Deus primeiro o filho e posteriormente o amante da Deusa? Isto não é incesto, mas simbolismo. Na hstória da agricultura (um dentre muitos mitos Wiccanos), a constante alternância da fertilidade da Terra é representada pela Deusa e pelo Deus. Este mito fala dos mistérios do nascimento, da morte e do renascimento. Celebra os maravilhosos aspectos e belos efeitos do amor, e honra as mulheres que perpetuam nossa espécie. Também indica a grande dependência que os homens têm em relação à Terra, ao Sol e à Lua, e os efeitos das estações em nossa rotina.
Para povos agrícolas, o ponto principal deste ciclo mítico é a produção de alimentos por meio da união entre o Deus e a Deusa. O Alimento - sem o qual todos morreríamos - está intimamente ligado às deidades. Na verdade, os Wiccanos vêem a comida como mais uma manifestação da energia divina.
Assim, ao observar os Sabbats, os Wiccanos sintonizam-se com a Terra e com as deidades. Eles reafirmam suas raízes na Terra. A prática de rituais nas noites de lua cheia também fortalece sua conexão com a Deusa em particular.
O Wiccano sábio celebra os Sabbats e os Esbats, por serem estes períodos de poder real e simbólico. Honrá-los de algum modo é parte integral da Wicca.

FILOSOFIA WICCANA

As pessoas que tomam conhecimento da Wicca geralmente se perguntam: qual é a sua doutrina? Em que eles acreditam?
À primeira vista, nossa filosofia pode parecer um tanto quanto difícil de ser compreendida, pois ela se baseia num entendimento diferentes dos conceitos que as pessoas estão acostumadas a ver numa religião. Alguns desses pontos são fervorosamente combatidos, criticados e inadmissíveis por determinados grupos. Os religiosos os vêem como blasfêmia, heresia, sacrilégio. Os racionalistas e céticos como algo irracional, incoerente, retrógrada. Há quem questione a Wicca como religião, argumentando que ela não tem as características de religião, sendo muitas vezes, chamada de "seita esotérica".
Os treze pontos que listei no início do blog vou tentar esclarecê-los a partir de agora. Porém você deve ter em mente que eles são apenas alguns pontos da nossa crença, e não todos, e que o seu entendimento é muito mais profundo.

O ESTEREÓTIPO DA BRUXA

Desde que nascemos escutamos histórias onde o vilão é sempre uma bruxa má, que come criancinhas, uma madrasta má com inveja da bela enteada, ou será que você nunca ouviu falar da Branca de Neve e João e Maria? Noutras, as bruxas são representadas como velhas feias com verruga no nariz pontudo, que invariavelmente transformam-se em jovens belas para seduzir homens virtuosos, como a bruxa do mar na pequena Sereia ou a própria Morgana na história do Rei Arthur. Histórias assim são comuns e de certa forma tem um fundo de verdade que como sempre é destorcida para atenderem a necessidades políticas e religiosas de homens gananciosos.
A sedução não é um "poder" exclusivo das mulheres, tão pouco das bruxas. Ao longo da história, homens e mulheres utilizaram-se desse subterfúgio pelos mais diversos motivos, com as melhores e piores intenções. Porém a acusação no caso das bruxas é a de utilizar magia para seduzir alguém. E então vem a pergunta: como isso é possível? Isso pode ser feito realmente????
Vamos voltar à história de Arthur e Morgana. No romance de Marion Zimmer Bradley, Morgana tenta se passar por Guinevere para seduzir Lancelote através de um feitiço chamado "Glamour". Esse tipo de feitiço até hoje é utilizado pelas atuais bruxas, porém elas possuem implicações próprias. Por ser um feitiço que desconsidera o livre arbítrio da pessoa a ser "conquistada", é considerado um feitiço perigoso. Feitiços de amor são praticados pelas bruxas atuais, porém a intenção dela é que vai definir a sua "ética". Entre os Wiccanos atuais o livre-arbítrio é considerado um ponto de "senso ético" e visto com cuidado ante de se praticar qualquer feitiço.