"Muitos livros foram escritos sobre bruxaria(...). Embora seus autores soubessem que bruxas existissem, nenhum deles consultou uma bruxa sobre suas visões a respeito da bruxaria. Afinal, a opinião de uma bruxa deveria ter algum valor, mesmo se não se encaixasse nas opiniões preconcebidas(...). Sou antropólogo e é consenso que o trabalho de um antropólogo é investigar o que as pessoas fazem e em que acreditam, e não o que outras pessoas dizem que elas fazem ou acreditam."(Gardner, 2003, p.21-22 em: A Bruxaria Hoje)
"A Bruxaria Moderna é um fato. Ela não é mais uma relíquia subterrânea da qual a camada restante, e até mesmo a própria existência, é acirradamente disputada pelos antropologistas. Ela não é mais o passatempo bizarro de um punhado de excêntricos. Ela é a prática religiosa ativa de um número substancial de pessoas." (Farrar, 1985, p. 2 em: A Bíblia da Feitiçaria)

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

EU SOU PAGÃ

por Selena Fox
(adaptado por Erynn Dé Dannán)

Eu sou Pagã. Eu sou parte de toda a Natureza. As Pedras, os Animais, as Plantas, os Elementos e Estrelas são partes de mim. Outras pessoas são minhas irmãs e irmãos, sejam quais forem sua etnia, cor da pele, sexo, orientação sexual, idade, nacionalidade, religião, estilo de vida. O Planeta Terra é a minha casa.
Eu sou parte desta grande família da Natureza, não mestre dela. Eu tenho minha própria parte especial para executar e eu busco descobrir e executá-la da melhor forma possível. Eu busco viver em harmonia com outros na família da Natureza e trato outros com respeito.
Eu sou Pagã. Eu celebro a mudança das estações, o girar da Roda do Ano. Eu celebro com cânticos, danças, festas, rituais e de outras formas. Eu celebro cada giro da Roda com práticas espirituais pessoais e tomando parte em festivais comunitários. Samhain, comumente conhecido como Dia das Bruxas, é um tempo para contemplação do futuro e para prestar homenagem a meus Antepassados e outros amados no mundo dos Espíritos. Eu trabalho magia por maior liberdade religiosa para Pagãos e para a humanidade. Eu celebro o ano novo espiritual céltico.
Yule, o Solstício de Inverno, é um festival de paz e uma celebração da minguante luz solar. Eu honro a nova criança do Sol, queimando um tronco de Yule de carvalho no fogo sagrado. Eu honro a Grande Deusa em Seus muitos aspectos de Grande Mãe, e o Deus Pai, em suas formas de Velho Deus Céu, Pai Tempo e Rei do azevinho. Eu decoro minha casa com luzes e com azevinho, hera, visco, sempre-vivas e outras ervas sagradas para esta estação. Eu toco sinos no novo ano solar.
No começo de Agosto, eu celebro Candlemas, conhecido pelos antigos Celtas como Imbolc e para cristãos contemporâneos como o Festa da Candelária. Eu enfoco na purificação espiritual e na eliminação de bloqueios para preparar a vinda da Primavera e o novo crescimento. Durante este festival, eu acendo velas para honrar Brigid e eu a convido a inspirar meus trabalhos artísticos e guiar minha prática curativa. Eu faço oferendas de sementes a pássaros selvagens.
Na hora do Equinócio da Primavera, eu dou boas-vindas à renovação da Primavera e celebro a verdejante Terra, vestindo-se em verde. Eu honro a Deusa teutônica Ostara e o espírito do Coelho, o consorte Dela. Eu pinto ovos com amigos para um novo crescimento.
Beltane, no começo de Novembro, é um festival de fertilidade e prazer. Eu me visto em cores luminosas e uso uma guirlanda de flores em meu cabelo. Eu danço ao redor Maypole para abençoar jardins e projetos criativos. Eu salto a fogueira de Beltane para boa sorte. Eu coloco flores no Santuário da Sagrada Bast dos Gatos e em outros locais sagrados.
No tempo do Solstício de verão, também conhecido como Meio do verão e Litha, é um momento principal de reunião quando eu saúdo velhos amigos e conheço novos. Eu danço com eles ao redor de uma fogueira sagrada aos mágicos ritmos de tambores. Eu honro minha comunidade espiritual e tribo. Eu celebro a cultura Pagã.
Conforme fevereiro se aproxima, eu celebro Lammas, também conhecido como Lughnassad. Neste festival, eu honro o ápice do Verão e a prosperidade. Eu não só dou graças pelas coisas selvagens e plantas cultivadas e bênçãos para aquelas que estão começando a frutificar, mas eu também peço para que a abundância continue. Eu reparto e como pão com outros no ritual e eu dou pão e oferendas de erva às Deusas e Deuses da agricultura.
Equinócio de Outono, algumas vezes chamado Mabon, é o tempo da ação de graças por todas as colheitas que eu tenha colhido durante o tempo crescente. Eu dou graças pela comida que recebi dos jardins e campos e por outras bênçãos que entraram em minha vida. Eu devolvo à Mãe Terra oferendas que vêm do melhor da fruta, legumes, ervas, nozes e outras comidas que eu tenha recolhido. E em Samhain, a Roda do Ano começa novamente.
Eu sou Pagã. Eu também honro as estações da vida dentro de minha jornada de vida- começos, crescimento, frutificação, colheitas, fins, descansos e recomeços. A Vida é um Círculo com muitos ciclos. Com todo Fim vem um novo Começo. Dentro da Morte há a promessa de Renascimento.
Eu sou Pagã. Eu não só vejo ciclos de mudança e renovação dentro de minha própria jornada de vida, mas em minha herança. Eu vejo minha vida como um círculo que me conecta com os círculos de vida de meus antepassados. Eles são parte de mim e minha vida.
Eu sou Pagã. Mudança de consciência intencional, a Magia, é parte de minha espiritualidade. Para todo problema há pelo menos uma solução executável, como também oportunidade para crescimento. Eu crio minha própria realidade com meus pensamentos, sentimentos e ações. Tudo que eu envio sempre retorna.
Eu busco cumprir o Conselho Wiccano: "Sem causar mal a ninguém, Faça o que quiseres". Quando eu faço magia em rituais, antes de eu elevar diretamente a energia, eu sempre busco olhar o quadro do qual minhas necessidades são somente uma parte. Eu me empenho a trabalhar para o melhor de todos, como também me ajudar. Quando problemas vêm para o meu caminho, eu busco entender as causas e mensagens deles como parte de minha busca por uma solução. Fazendo trabalho curativo, eu busco enviar as causas espirituais subjacentes da doença, em lugar de só enfocar um alívio de seus sintomas.
Eu sou Pagã. Eu trabalho magia através da Lua para ajudar e curar outros, a mim mesma, e o Planeta. A Deusa Tripla da Lua me guia. Eu ativo começos na Crescente, energizo manifestações na Cheia e mando embora obstruções com a Minguante e com a Negra. Eu tomo parte em rituais em Luas Novas e Cheias, e eu sei que meus Círculos são parte de uma grande rede de Círculos que se encontram nestes tempos ao redor do Planeta Terra. Eu sou Pagã. Eu abraço o Panteísmo e reconheço que o Divino está em todos os lugares e em tudo.
Eu honro o Divino que está dentro das árvores na floresta, nas ervas no jardim, nos pássaros selvagens que cantam nas árvores, no topo da pedra da montanha, em mim, e sim, até em "coisas" como meu carro, máquinas fotográficas e computadores. Eu entendo que tudo com um corpo físico tem um corpo espiritual também. O físico e espiritual está entrelaçado profundamente, não separado, nesta forma de mundo. Eu honro as interconecções da Criadora e Criação.
Eu sou Pagã. Eu sei que a Divindade tem muitas facetas e eu experiencio isto por uma variedade de Deusas, Deuses e outras formas espirituais. Eu também honro a Divina Unidade, a Unidade de Tudo. Meus encontros pessoais com Deusas Pagãs, Deuses e outras formas Divinas transformaram e enriqueceram minha vida. Hécate apareceu como a Morte para me ensinar libertação e renascimento. Como uma criança jovem, Ártemis fluiu por mim e me ajudou a proteger o que pretende ser roubado. Selena da Lua Cheia traz visões e meu nome para mim. O sagrado Sol me energiza. Iemanjá do Oceano limpa e me renova. Eu tenho ouvido Pan tocar sua flauta nos bosques. Dionísio desperta dentro de mim as alegrias de espontaneidade e felicidade extática e me ensina os mistérios da androginia. Eu experimentei a união de Deusa e do Deus fazendo amor com meu companheiro no jardim. Bast me ajudou a aprofundar minhas conexões com meus amigos gatos. Cernunnos apareceu a mim na floresta como um Veado. Isis falou a mim em explosões de esplendor no fundo da Noite e em fluxos de energia por minhas mãos, fazendo curas. Saturno me deu lições sobre disciplina, tempo e agricultura orgânica. A Senhora Liberdade me protege conforme eu trabalho para liberdade religiosa por Wiccanianos e outros Pagãos. A Mãe Terra guia meu trabalho em nome deste Planeta. Eu também experiencio o Divino como Totens animais, aliados das plantas e como outras formas em meus sonhos, em jornadas internas e enquanto eu buscava pela visão sozinha no deserto.
Eu sou Pagã. Minhas práticas espirituais incluem auto-aceitação e entendimento, em vez de auto-rejeição. Eu compartilho minhas visões com outros quando eu sinto ter razão, mas eu não faço proselitismo, reivindicando meu caminho como único e verdadeiro. Há muitos caminhos sobre a montanha da compreensão espiritual, não somente um caminho.
Eu também realizo rituais em outros lugares na terra, ao ar livre e em lugar fechado. Minha adoração e rituais podem estar em qualquer lugar, pois meu círculo sagrado é portátil. Onde quer que eu esteja eu posso montar um círculo ao redor de uma esfera sagrada com sete invocações: para as quatro direções, para o Cosmo acima, para o Planeta abaixo e para Integração Espiritual no centro.
Eu sou Pagã. Eu viajo ao Outro mundo em meus sonhos, meditações e rituais. Eu uso ferramentas sagradas para me ajudar em minhas jornadas e meus trabalhos mágicos. Estes incluem caldeirão, cristais, velas, incensórios, cálices de água, pentáculos de sal, pratos de terra, penas, sinos, vassouras, chocalhos, tambores, batutas, estacas, espadas, espelhos, e uma variedade de ferramentas de adivinhação, inclusive cartas de Tarô, exagramas de I Ching e pedras de Runas. Eu vôo com minha consciência pelo tempo e espaço.
Eu exploro outras dimensões e então eu retorno com insights, conhecimento e poder. Eu vou entre os mundos por cura, crescimento e transformação. Intuição, percepção psíquica é natural, não sobrenatural, são parte da minha vida diária. Eu sou Pagã. Eu me harmonizo com os quatro elementos da Natureza - Terra, Ar, Fogo, Água - e com o quinto elemento, O Espírito que é a força espiritual que tudo conecta. Eu vejo estes Elementos na Natureza - a Terra no solo e pedras; o Ar nos ventos e atmosfera; o Fogo como o raio, fogos e eletricidade; a Água nas primaveras, rios, oceanos e outras águas sobre o planeta; e o Espírito como a Divina Unidade. Eu também vejo estes Elementos como aspectos do Self - meu corpo físico e fisiológico é minha Terra; meu intelecto e pensamentos meu Ar; meu desejo e ações meu Fogo; minhas emoções e sentimentos minha Água; e meu Self Interno, minha Alma, é o meu Espírito.
Eu esforço em me manter saudável e em equilíbrio em todas estas partes do Self. Eu trabalho para o restabelecimento do equilíbrio dos Elementos no ambiente. Eu sou Pagã. Eu ouço o choro da Mãe Terra que está triste com o mal que é causado ao meio-ambiente pela humanidade. Eu estou desanimada pela poluição do ar, terra, águas e pelos jogos de dominação que são feitos pelas nações com os danos nucleares e outras armas de destruição de massa. Eu também me preocupo com a poluição espiritual no Planeta - egoísmo, ódio, cobiça por dinheiro e poder, vícios, violência, desespero. Quando eu vejo estes problemas, eu também vejo a limpeza e cura dos acontecimentos sobre o Planeta Terra.
Eu sei que posso ajudar pelo menos um pouco a trazer ao Planeta maior equilíbrio buscando equilíbrio em minha própria vida, sendo um catalisador para restaurar o equilíbrio na vida de outros e trabalhando para um ambiente melhor. Eu sei que minhas atitudes e meu modo de vida podem fazer diferença. Eu procuro ser um canal para a cura e equilíbrio. Eu faço da responsabilidade ambiental parte de minha vida pessoal diária. Eu procuro viver em harmonia com os membros da Família da Natureza.
Eu sou Pagã. A Espiritualidade da natureza é a minha religião e minha base de vida. Natureza é minha professora espiritual e meu livro sagrado. Eu sou parte da Natureza e a Natureza é parte de mim. Minha compreensão dos mistérios internos da Natureza cresce enquanto eu viajo neste caminho espiritual.

Um comentário:

Luciana disse...

Texto belo, muito belo!

Luciana Onofre

http://pandhea.blogspot.com/